Currículo do CDF ― Áreas de Interesse

Nas últimas postagens, propus um programa de estudos que chamei um tanto pretensiosamente de Currículo do CDF. Fiz por disciplinas: Matemática, Ciências Naturais, Ciências Humanas, Português e Inglês. Agora, vou apresentar a mesma proposta por “áreas de interesse acadêmico” algo semelhante ao que no Novo Ensino Médio se chama “itinerários formativos”. (Para explicações detalhadas, consulte as respectivas postagens.)

O Núcleo Linguístico e o Núcleo Científico-Humanístico são pra serem estudados paralelamente. Eles constituem o que eu considero fundamental que o/a estudante CDF saia do Ensino Médio sabendo de todas as disciplinas, qualquer que seja a área que ele(a) vai seguir na faculdade.

Uma justificativa para esta abordagem comum é uma tendência cada vez mais forte nas universidades chamada interdisciplinaridade, que é interseção entre diferentes disciplinas, às vezes de áreas do conhecimento bem diferentes, como Etnomatemática, Neuropedagogia e Bioinformática. Foi-se o tempo em que o estudante de Engenharia podia não saber nada de Biologia, que o de Medicina não precisava saber Matemática, ou que o de História não precisava conhecer Física. É claro, um engenheiro civil não vai precisar saber tanta Biologia quanto um biólogo, mas vai precisar saber alguma Biologia para poder trabalhar ao lado de um biólogo num projeto de construção ecologicamente sustentável.

Já as obras que integram o Núcleo de Humanidades e Ciências Sociais e o Núcleo de Ciências Exatas, Ciências Naturais e Tecnologias são pra quem vai seguir nestas respectivas áreas. São pra serem estudados depois do Núcleo Científico-Humanístico (e, conforme for, ainda paralelamente ao Núcleo Linguístico).

O Núcleo de Ciências Exatas, Naturais e Tecnologias, por sua vez, também possui um Tronco Matemático-Científico-Tecnológico comum a todos os cursos, e diversos Ramos de Cursos Específicos; ou ainda, os Ramos de Olimpíadas de Ciências.

Tem ainda o Núcleo de Cursos do IME e do ITA, que é um caso à parte.

Núcleo Linguístico

Os Currículos de Português e de Inglês são os mesmos para todas as áreas de interesse, desde o “nível básico” até o “avançado”. Você deve estudar essas duas disciplinas em paralelo com as demais.

Português

Nível Básico:

Nível Intermediário:

Nível Avançado:

Siga a ordem apresentada nesta lista. Avance nela o máximo que você puder. São todos livros de autores consagrados, e amplamente usados na preparação para o Enem, vestibulares e concursos públicos.

Inglês

Os livros listados abaixo, da Cambridge University Press, são muito usados mundo afora (inclusive no Brasil) em cursos de Inglês. Para traduzir palavras e expressões desconhecidas e ouvir a pronúncia delas, use os serviços gratuitos do Google Tradutor e do Bing Translator.

Nível básico:

Nível intermediário:

Nível avançado:

Você deve seguir a ordem em que estão listados os livros. Tente concluir pelo menos 2/3 da lista – ou seja, concluir o “nível intermediário”. Isso deve bastar pro Enem e pros vestibulares. Mas pra você ser capaz de ler jornais, revistas e livros em Inglês com a mesma fluência que em Português, tem que chegar até o fim do nível avançado.

Núcleo Científico-Humanístico

Qualquer que seja a área acadêmica que você for seguir na faculdade, é imprescindível ter um conhecimento amplo, e nada superficial, das principais áreas do conhecimento humano. É inconcebível, num mundo altamente complexo, em carreiras e profissões inter, multi e transdisciplinares, que engenheiros desconheçam como a sociedade funciona, que advogados não saibam como a natureza funciona, e que médicos ignorem como um computador funciona.

O básico desse conhecimento geral pode ser adquirido com os seguintes livros:

Matemática e Geometria

Os livros abaixo são pra quem não teve uma boa formação matemática no Ensino Fundamental. (Praticamente todo mundo…) As setas querem dizer que é pra terminar um livro antes de começar o outro.

O sinal de + quer dizer que esses livros devem ser estudados simultaneamente, paralelamente. Na verdade, não são exatamente três livros distintos, mas um mesmo livro com pequenas variações, uns capítulos a mais ou a menos. (Confira os sumários.)

Física, Química, Biologia, Astronomia

Este livro deve ser estudado na íntegra antes de se iniciar o estudo das coleções abaixo. (Elas serão estudadas em paralelo com os livros de Matemática seguintes da OpenStax.)

A coleção do Física deve ser estudada na íntegra antes da de Química, e a de Química toda antes da de Biologia, e a de Biologia antes da Astronomia. Ao final, a revisão geral pode ser feita com provas de Ciências Naturais do Enem e de vestibulares.

História, Geografia e Sociologia

Os livros acima correspondem ao que você devia ter aprendido no Fundamental 2. Os livros abaixo, ao que você deveria aprender num Ensino Médio decente.

Núcleo de Humanidades e Ciências Sociais

Se você quer fazer cursos de Letras, Linguística, Filosofia, História, Geografia, Psicologia, Sociologia, Economia, Jornalismo, Administração, Relações Internacionais, depois de completar o Núcleo Científico-Humanístico, você deve estudar pelos seguintes livros:

Núcleo de Ciências Exatas, Ciências Naturais e Tecnologias

Tronco Matemático-Científico-Tecnológico

Se você quer cursar qualquer faculdade que não seja de Humanidades ou Ciências Sociais, depois de completar o Núcleo Científico-Humanístico, você deve estudar pelos livros a seguir, comuns a todos os cursos de Exatas, Naturais e Tecnologias.

As NM e os FME estão separadas com uma barra porque você pode estudar apenas uma dessas coleções ou as duas juntas. Vai depender de quanto tempo você tem pra estudar e o quanto você quer se aprofundar. Em geral, NM tem explicações mais fáceis e exercícios mais básicos que FME. Lembrando que eu tenho dois roteiros de estudo, um somente para FME, outro combinando FME e NM. (Eu não fiz um roteiro só com NM; mas é só você pegar o roteiro combinado e ignorar todas as linhas referentes aos FME.)

Novamente, o sinal de + indica que os livros devem ser estudados ao mesmo tempo.

Ramos de Cursos Específicos

Depois de terminar os livros comuns a todos os cursos de Ciências Exatas e Naturais, se você ainda tiver tempo, pode se concentrar mais na disciplina que tem mais a ver com o curso que você quer seguir, com os livros listados abaixo.

Esta coleção não é pra ser estudada na íntegra. Os livros que considero mais úteis a estudantes pré-universitários são:

  • A Matemática do Ensino Médio, em quatro volumes (o quarto é só com as resoluções dos problemas), que tem ênfase maior em teoria e demonstrações, e menos em técnicas de resolução de problemas;
  • Temas e Problemas, Logaritmos, Progressões e Matemática Financeira, Trigonometria e Números Complexos, quatro livrinhos que ampliam a teoria e as aplicações desses assuntos;
  • Introdução à Teoria dos Conjuntos, um tratamento rigoroso, porém acessível, ao mais importante conceito da Matemática moderna;
  • Elementos de Aritmética e Álgebra, apresenta toda a aritmética e a álgebra relacionadas aos conjuntos numéricos que utilizamos em nosso dia a dia: naturais, inteiros, racionais e reais.
  • Análise Combinatória e Probabilidade, talvez o mais abrangente e esclarecedor livro em Português sobre esses temas espinhosos.

Ramos de Olimpíadas de Ciências

Se você é aficionado por uma disciplina específica e adora ganhar medalhas, depois do Tronco Matemático-Científico-Tecnológico (e ao invés dos livros indicados para os Ramos de Cursos Específicos), pegue os seguintes livros, conforme a Olimpíada que você queira disputar:

É claro, focar os estudos somente na disciplina da Olimpíada que você quer desde o início (deixando de lado, especialmente, as disciplinas humanísticas) vai permitir a você avançar mais rápido nas várias etapas da disputa, e aumentar as suas chances imediatas de medalha. Mas em termos de preparação para o Enem e os vestibulares em geral, e para começar bem o seu curso de Graduação, pode não ser muito produtivo. Não adianta você ganhar a medalha de ouro na OBMEP e não obter vaga num bom curso de graduação em Matemática por ter errado as questões de Química e Biologia na prova do Enem.

Núcleo de Cursos do IME e do ITA

Os vestibulares do IME e do ITA têm um aspecto que facilita e outro que dificulta a preparação dos candidatos. O lado fácil é que são apenas cinco disciplinas: Português, Inglês, Matemática, Física e Química. O lado difícil é que as três últimas são em nível olímpico! Por isso, os professores especializados em treinar estudantes para esses vestibulares dividem a preparação em duas fases, costumeiramente chamadas de embasamento e aprofundamento.

Fase de Embasamento

O embasamento corresponde aos livros listados aqui até o que chamei de Núcleo Científico-Humanístico para Cursos de Ciências Exatas, Naturais e Tecnologias (somente daquelas cinco disciplinas, excluindo os de Biologia, Computação, História e outros). São os seguintes:

Português e Inglês:

Idênticos aos listados lá em cima.

Matemática:
Física:
Química:

O que eu chamei aqui de “demão” é cada etapa de estudo em que todo o conteúdo teórico de uma disciplina é visto ou revisto, para solidificar o conhecimento. (É um termo emprestado dos pintores de paredes: eles passam mais de uma vez a mesma tinta sobre a superfície, a fim de adensar a cor; cada passagem, eles chamam de uma demão de tinta.) A terceira “demão” já é em nível universitário, ainda que introdutório.

Fase de Aprofundamento

O aprofundamento é feito com livros de preparação para Olimpíadas de Ciências e mais outros com questões no estilo das que caem nas provas, inclusive questões de provas de anos anteriores.

Português e Inglês:
Matemática
Física
Química

Considerações Finais

Ficou meio confuso, dá pra simplificar?

Simplificar, não, mas dá pra resumir. Os “itinerários formativos” dentro do currículo do CDF são basicamente quatro:

  • Núcleo Linguístico + Núcleo Científico-Humanístico ⟶ Núcleo de Humanidades e Ciências Sociais;
  • Núcleo Linguístico + Núcleo Científico-Humanístico ⟶ Núcleo de Ciências Exatas, Ciências Naturais e Tecnologias (Tronco Matemático-Científico-Tecnológico ⟶ Ramos de Cursos Específicos);
  • Núcleo Linguístico + Núcleo Científico-Humanístico ⟶ Núcleo de Ciências Exatas, Ciências Naturais e Tecnologias (Tronco Matemático-Científico-Tecnológico ⟶ Ramos de Olimpíadas de Ciências);
  • Núcleo de Cursos do IME e do ITA (Fase de Embasamento ⟶ Fase de Aprofundamento).

Olhando assim, pode parecer que os itinerários de Ciências Exatas, Naturais e Tecnologias são mais difíceis que o de Humanidades e Ciências Sociais. Pelo menos nesta etapa pré-universitária, são mesmo! Mas, pra equilibrar um pouco as coisas, eu indiquei para a área de Humanidades e Ciências Sociais livros universitários, ainda que introdutórios, bem grandinhos (em inglês, ainda por cima), que vão forçar os CDFs que optarem por esse itinerário a ralar tanto quanto quem vai prestar IME ou ITA!

Quanto tempo leva pra estudar isso tudo?

Bom, muito provavelmente você não vai precisar estudar isso tudo. Vai depender muito dos seus objetivos, e do prazo em que você espera alcançá-los.

Se você deu a sorte de encontrar o Guia do CDF ainda no primeiro ano do Ensino Médio, e tem aulas apenas em meio período (só de manhã, ou só de tarde, ou só de noite), tendo o resto do dia livre para estudar, você pode esperar fazer um quarto ano de estudo depois de concluir o seu Ensino Médio, pra chegar no nível de um candidato competitivo ao IME/ITA.

Se você não quer ir pra esses institutos militares, mas quer ingressar num curso muito concorrido de uma das maiores e melhores universidades do País, procure avançar até o Núcleo de Humanidades e Ciências Sociais ou o Núcleo de Ciências Exatas, Ciências Naturais e Tecnologias. Nesta segunda opção, tente completar ao menos o Tronco Matemático-Científico-Tecnológico.

Em suma, quanto mais você quiser (e puder) avançar no Currículo do CDF, mais tempo de preparação isso vai te custar, seja na forma de horas diárias de estudo, seja em meses de estudo antes das provas; mas também maior será o seu horizonte de (boas) escolhas.

Bem, aí está, o seu Mapa do Reino do Conhecimento! Agora é só você traçar o seu caminho por ele.

24 comentários sobre “Currículo do CDF ― Áreas de Interesse

  1. Olá, Serjão. Espero que se encontre bem!
    Primeiramente, gostaria de lhe agradecer por este riquíssimo site. Sinto que ele me ajudará a alcançar meus objetivos e mudar de vida com os estudos.
    Iniciei ontem meus estudos pelos livros que recomendou da OpenStax, mas percebi que na parte de exercícios resolvidos, não têm todos eles resolvidos, só os exercícios ímpares (ex: 97, 99, 101). Poderia me dizer se isso é normal e se sim, como devo me adaptar?

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    • Olá, Lucas! Que bom que o Guia do CDF está te ajudando!

      Sim, isso é muito comum em livros estadunidenses, trazer apenas respostas dos exercícios ímpares nos livros dos estudantes. As respostas dos pares figuram apenas nos livros dos professores. É feito assim para permitir tanto que os alunos possam estudar por conta própria (os exercícios ímpares) como para que os professores possam selecionar alguns exercícios para trabalhar em sala de aula (os pares), ou mesmo como questões de provas.

      Mas você não precisa fazer todos os exercícios. Como os livros da OpenStax são mais pra fazer uma revisão do Ensino Fundamental e cobrir eventuais falhas na formação matemática, esses objetivos serão muito bem cumpridos se você fizer somente os exercícios ímpares. Ainda mais que, em geral, um exercício par tem um raciocínio de resolução muito semelhante ao do ímpar imediatamente anterior.

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  2. Olá, tenho estudado por meio de um curso online para o ENEM, porém acredito que preciso de um estudo mais aprofundado para chegar bem no curso que pretendo fazer (Ciência da Computação), você acha que é plausível conciliar as aulas do curso e os estudos do material didático proposto no seu currículo? Estudo somente 3 horas por dia, menos nas sexta e sábados a onde aumento a carga horária para 4.

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    • Seu tempo disponível para estudos é bastante limitado. Privilegie as atividades do seu curso online e, se sobrar tempo no seu dia, complemente com o material que disponibilizo aqui. Depois que acabar seu curso online, aí você se concentra no material do Guia do CDF.

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  3. Pingback: Guia do CDF ‒ O Guia do Guia

  4. Serjão, deixo uma sugestão de 5 livros em domínio público e um em Creative Commons (que também tem uma versão em domínio público) de Álgebra elementar. Creio que poderiam ser usados em conjunto com os livros da OpenStax como complementos (bem) avançados, podendo substituir vários volumes da coleção FME. É preciso ter um bom Inglês para aproveitar o material.

    Elements of Algebra do Euler
    https://archive.org/details/ElementsOfAlgebraLeonhardEuler2015

    Elementary Algebra for Schools por H. S. Hall e S. R. Knight
    https://archive.org/details/elementaryalgebr00hall

    Higher Algebra: a Sequel to Elementary Algebra for Schools por H. S. Hall e S. R. Knight
    https://archive.org/details/higheralgebraseq00hall/

    Algebra: An Elementary Text-Book For the Higher classes of Secondary Schools and Colleges Volume 1 por George Chrystal
    https://archive.org/details/algebraelementar01chryuoft/mode/2up

    Algebra: An Elementary Text-Book For the Higher classes of Secondary Schools and Colleges Volume 2 por George Chrystal
    https://archive.org/details/algebraelementar02chry/mode/2up

    A College Algebra do Henry Burchard Fine
    https://archive.org/details/collegealgebra00finerich/mode/2up

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      • Serjão, eu tenho algumas dúvidas sobre esta postagem do currículo por áreas de interesse.

        Em outra postagem você diz que os livros da OpenStax tornam o Matemática do Paiva e outros livros nacionais desnecessárioshttps://guiadocdf.com/2020/11/20/livros-da-openstax-na-estante-do-cdf/

        Entretanto, nesta postagem você cita o livro do Paiva como pré-requisito obrigatório ou como “demão” para várias áreas, até mesmo o coloca antes e depois de alguns livros da OpenStax de Matemática. Não se poderia ignorar o livro do Piava estudando apenas pelos livros da OpenStax?

        Outra dúvida, na parte de embasamento em Física, é possível substituir o Fundamentos da Física por High School Physics do OpenStax e o Física Clássica por Tópicos de Física?

        E para contribuir com esta postagem, o “Computer Science – An Interdisciplinary Approach” tem um site oficial com o livro gratuito e outros recursos como errata, código, etc.https://introcs.cs.princeton.edu/java/cs/

        Por fim, acho uma boa idéia indicar mais alguns livros em domínio público do autor que citei em outro comentário. (…)

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      • Olá, Piá!

        Realmente existe algumas discrepâncias entre as postagens do “Currículo do CDF” e outras mais antigas. Aconteceu que aos poucos eu fui ajustando as minhas recomendações conforme os retornos que obtive dos leitores.

        No caso específico, a sequência que eu proponho aqui, nesta postagem, é a que eu considero mais produtiva para os estudantes autodidatas. E uma característica importante desta sequência é mesmo a *redundância*, que significa você estudar um mesmo assunto repetidas vezes, em diferentes livros, a cada vez com um pouco mais de profundidade, para fixar bem os conteúdos no longo prazo.

        Então, sim, é perfeitamente viável ignorar a coleção do Paiva e estudar apenas pela OpenStax. Inclusive, se você tiver apenas um ano, um ano e meio, pra estudar, é o mais recomendável. E o mesmo pode ser feito com as coleções de Física. Quer dizer, eliminar as redundâncias pra ganhar tempo.

        Mas se você tiver dois anos ou mais até o Enem ou o Vestibular, experimente seguir a abordagem que proponho aqui. É mais demorada e trabalhosa, mas permite um aprendizado mais sólido.

        Quanto aos livros que você sugeriu, anotei e vou pesquisar. Mas terei que pesquisar eles primeiro pra ver se podem ser “encaixados” neste roteiro. Por isso, retirei os links.

        Entenda, há múltiplos caminhos, trilhas e atalhos para se alcançar o conhecimento. Tantos que os estudantes costumam ficar meio perdidos com tantas opções. Aqui no Guia do CDF, e especialmente no Currículo do CDF, eu não tenho a pretensão de explorar todos, mas sim apresentar *um único*, com poucas variações, que seja seguro.

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  5. Primeiramente, gostaria de agradecê-lo pelo site, o conheci ontem e já li todo, até reli algumas postagens que gostei mais, tudo ótimo, desde as simples, porêm muito úteis, dicas da espessura do grafite, passando pelo monumental trabalho de ordenamento das obras didáticas, até as estimulantes análises das falhas do ensino no Brasil. Enfim, muito obrigado.
    Quando terminei de ler O Hobbit, tive aquela sensação de “pela forma que escreve, esse tal de Tolkien deve ser um cara muito maneiro” é quase impossivel não sentir certo carinho e amizade por ele, apesar de não conhecê-lo. Da mesma forma, ao ler seus textos dá pra imaginar que tipo de pessoa admirável vc é.
    Vamos lá, quando mais novo, recebia muitos elogios dos professores e cheguei a passar duas séries no mesmo ano. Entretanto, entre as veredas da vida, a escola parou de fazer sentido e eu simplesmente larguei e só fui terminar o EM por meio de EJA, à distância para piorar. Após terminar, com o diploma em mãos, notei que nem eu nem os amigos de classe sabiam conteúdo suficiente para passar pelo fundamental 1, ainda mais do Ensino médio. Me senti enganado e frustrado, depois desse episódio, decidi voltar a estudar(com muito sangue nos olhos).
    Há aproximadamente 1 ano e meio estou me preparando para o Enem, mas a ideia de “estudar para o Enem” é abominável para mim e faço questão de não estudar por apostilas e muito menos fazer cursinho algum. Passar no exame será consequencia do estudo e não seu objetivo. Já havia estudado algumas obras mencionadas pelo senhor no currículo mas em ordem um tanto quanto aleatória, portanto, esse ordenamento caiu como uma luva na minha jornada.
    Muitos vêm até aqui com suas dúvidas duvidosas e comigo não será diferente. O senhor acha que isso é perfeccionismo/idealismo de mais dê minha parte tentar passar no Enem sem “estudar para o enem” ?
    Caso eu fosse seguir seu currículo, eu faria o ciclo com os cinco blocos (Port, Natureza, Mat, Ing, Hum) e ,se entendi corretamente, algumas diciplinas não são estudadas simultaneamente, mas de forma meio linear (como no caso de Hist, Geo e Socio, por exemplo). Posso seguir assim? ou o senhor acha que talvez eu deva focar mais no Enem, nesse caso, como faria ? Estou em um dilema, pois apesar de querer construir conhecimentos sólidos, também gostaria muito de “passar no Enem” antes que fosse reformulado, o que deve ocorrer em breve.
    Só te mandam abacaxis né !? Valeu Serjão, grande abraço.

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    • Olá, William! Fico muito contente de estar contribuindo para a sua jornada em busca de conhecimento. A história que você relatou é, infelizmente, muito comum. São tantos talentos desperdiçados! Tanta gente com enorme potencial que fica pelo caminho! Mas que bom que você não se conformou com a mediocridade que o sistema educacional brasileiro tentou te impor.

      Mas vamos às suas dúvidas. Sim, passar no Enem sem estudar pro Enem, apenas como consequência natural de um estudo sistemático, é um ideal perfeccionista. Mas isso não é necessariamente ruim. CDFs são mesmo idealistas e perfeccionistas, e esses traços de personalidade, muitas vezes, servem de motivação para eles perseguirem os seus objetivos. Mas você precisa temperar seu idealismo com *realismo* e seu perfeccionismo com *pragmatismo*, para você realmente *alcançar* seus objetivos.

      Se você é sustentado por seus pais (ou tios, ou avós), deve haver uma certa “pressão por resultados” da parte deles. Ainda mais tendo em vista seu histórico de desistência escolar. Nesse caso, pode ser mais interessante você focar em passar no Enem mesmo. Uma maneira de fazer isso é você pegar as provas antigas e tentar resolver; quando você não conseguir fazer uma questão, você estuda aquele assunto específico. Pode ser fora de ordem mesmo; por mais fraco que tenha sido seu EM, você provavelmente tem uma noção mínima de muita coisa, precisa é aprofundar.

      Se você trabalha para se sustentar, você não precisa ter pressa pra passar no Enem e começar uma faculdade, e pode fazer um estudo mais estruturado, seguindo mais de perto o “Currículo do CDF”. Mas você tem menos horas no dia para estudar, e se você quiser seguir o currículo que proponho na íntegra, pode levar vários anos até terminar. Nesse caso, pode ser melhor você seguir apenas parcialmente meu currículo.

      Por exemplo, se você não vai fazer prova pro IME nem pro ITA, não precisa estudar os livros avançados necessários para esta preparação, por mais que você goste de Matemática e Física. Também se você não pretende fazer uma faculdade na área de Humanas, não vai precisar estudar todos os livros de História, Filosofia e Literatura que eu indico. Nas postagens em que eu descrevo o “Currículo do CDF”, eu indico claramente até onde o estudante deve ir, conforme a área do conhecimento que pretende seguir na Graduação.

      No final das contas, são os objetivos que você quer alcançar e os obstáculos que você precisa transpor que vão determinar o quanto você vai precisar se afastar do seu ideal perfeccionista.

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      • Estudar ”para aprender” seria menos vantajoso do que estudar ”para passar”? Ou o senhor acha que o equilíbrio entre ambos deve ser o ideal?

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      • Depende dos seus objetivos, Lauro. O ideal seria estudar “para aprender”, e passar em provas de seleção seria apenas uma consequência de ter aprendido. Mas as situações reais, concretas, sempre se afastam, em alguma medida, desse ideal.

        Se você não tem pressa de entrar numa faculdade (pode ficar dois, três anos estudando depois de terminar o Ensino Médio), você pode se concentrar mais em estudar pelo prazer de aprender as matérias, e deixar para treinar para as provas alguns meses antes delas.

        Mas se você for como a maioria dos estudantes, você tem um prazo estabelecido, por você mesmo ou seus pais ou responsáveis, para começar uma faculdade (geralmente um ano, um ano e meio). Nesse caso, seu planejamento de estudos deverá incluir, desde o princípio, a preparação para as provas.

        A melhor maneira de conciliar as duas coisas é o estudante montar um planejamento de estudos ainda no início do primeiro ano do Ensino Médio. Mas são poucos aqueles que, aos 15 anos de idade, conseguem pensar no longo prazo de três anos ou mais. Quando se tem essa idade, três anos no futuro parecem tão longe…

        Em geral, os estudantes só “acordam” para a necessidade de planejar os estudos — executar esse planejamento — na metade do segundo ano ou já no terceiro. Aí, não tem jeito. É tanta matéria que o estudo fica meio atabalhoado mesmo.

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  6. Olá Serjão!
    Acompanho o blog a pouco mais de um ano e vejo que sempre recomenda os livros da OpenStax para quem quer reaprender ou preencher algumas lacunas da matemática básica. Eu acabei de terminar o ensino médio e vou me aventurar em algum vestibular concorrido como medicina em federal ou engenharia nos institutos militares, ainda não decidi.
    Para isso quero revisar a matemática básica, eu aprendi muito bem quando mais novo, mas por mau hábito e com o passar do tempo surgiram algumas lacunas, eu estou pensando em usar o livro “Matemática para vencer” do Laercio Vasconcelos para fazer essa revisão. Teria algo a dizer sobre esse livro para essa finalidade ?
    Estou resistindo a usar os livros da OpenStax por serem muito grandes, infelizmente não vou ter tempo para finalizar todas suas recomendações, meu plano é revisar a matemática básica e já ir direto para os NM e FME em conjunto com Física do Calçada, Química do Feltre e etc.. Meu EM foi bem completo, até usei o matemática do Paiva.
    Gostaria de saber sua opinião neste livro do Laercio Vasconcelos e sobre essa minha decisão de avançar mais rapidamente.

    Sinto a necessidade de agradecer por compartilhar essas informações de graça, com certeza são de muita ajuda para mim e para muitos outros, obrigado!

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    • Olá, Yuri! Não tem problema você não seguir todas as minhas recomendações. Elas são muito abrangentes justamente para atender a necessidades variadas de diferentes estudantes. Mas cada um deve adaptar (e abreviar) o Currículo do CDF conforme as próprias necessidades, restrições de tempo e objetivos que espera alcançar.

      Eu não conheço esse livro do Laércio de Vasconcelos. (Quer dizer, sei que existe, mas nunca peguei para examinar.) Mas, de qualquer forma, se você já estudou pelo Paiva no seu Ensino Médio, você não vai precisar estudar nenhum livro do Laércio ou da OpenStax todinho, de capa a capa. Você pode olhar os sumários dos livros e pegar somente aqueles capítulos que tratam das “lacunas” que você falou. Inclusive, pode fazer isso enquanto estuda os FME ou as NM.

      Por exemplo, você está estudando a função quadrática no volume 1 dos FME e percebe que está errando muito as equações de segundo grau que aparecem nos exercícios. Você vai lá no livro do Laércio ou no Intermediate Algebra da OpenStax e estuda somente os capítulos que tratam de equações de segundo grau. Resolvida a deficiência, você volta pra onde você parou nos FME.

      E se o seu Ensino Médio foi mesmo “bem completo”, você pode fazer algo semelhante com os livros de Ciências. Você pode, por exemplo, ir direto nos exercícios resolvidos, pra recordar a matéria, e partir logo a seguir para os propostos. Somente se você não conseguir entender os exercícios resolvidos (sinal de que você esqueceu mesmo aquele assunto) é que você deve reestudar a teoria do capítulo em questão no detalhe, como se fosse a primeira vez. Assim, você poupa tempo e consegue avançar para livros mais avançados o mais cedo possível.

      É assim, você não vai ter que recomeçar do zero. Bons estudos e muito sucesso pra você!

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    • Nível universitário *mesmo* só Calculus 1, 2, 3 ; Introductory Statistics e Introductory Business Statistics.

      Mas College Algebra, Precalculus e Algebra and Trigonometry, que integram o Currículo do CDF, também são usados em alguns cursos universitários, pra dar um
      nivelamento a estudantes que chegam à universidade com uma base matemática precária. (Isso não acontece só no Brasil.)

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  7. Olá Serjão!!!
    Para alguém que quer uma vaga em medicina pelo enem você acha que é suficiente estudar até o núcleo científico humanístico?
    obs: Vou tentar passar sem fazer um cursinho, pois na minha cidade eles são extremamente caros e os baratos não valem a pena.
    outra observação é que terminei o ensino médio a poucos dias
    e infelizmente tenho uma base fraca em todas as disciplinas vou ter que começar todas do básico. só conseguir abrir os olhos para ver como estudar é legal e importante depois de ter passado a pandemia estudando em casa sozinho.

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    • Olá, Josimar! É uma pena que tenha sido necessária uma pandemia pra muitos estudantes se conscientizarem da importância do estudo autodidata. (Você não foi o único, pode ter certeza!)

      Sobre sua questão, vai depender muito da universidade que você quer cursar. Mas, em geral, Medicina é um curso bastante concorrido, em qualquer instituição. Você deve tentar completar pelo menos o Núcleo Matemático-Científico-Tecnológico, para se colocar no pelotão de frente dessa maratona.

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  8. Olá, Serjão!
    Você conhece alguma lista ordenada de livros didáticos para acadêmicos de Medicina?
    Minhas aulas começam no início do próximo ano e gostaria de estudar a grade curricular do modo mais eficiente e com materiais de qualidade.
    Acompanho o blog há alguns anos e conheço o seu excelente critério para a escolha de livros. Agradeço desde já, porque muito do que eu aprendi com o senhor me ajudou a conquistar a vaga na universidade.

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    • Olá, Bruno!
      Antes de tudo, parabéns pela sua conquista! Fico muito contente de ter contribuído um pouco para isso.
      Medicina é uma área distante de minha formação. Eu sinceramente não tenho ideia de quais os melhores livros da área!
      Mas você pode pedir na secretaria da universidade (talvez a informação esteja mesmo no website da universidade) o *ementário* das disciplinas do seu curso. É um documento que lista todos os conteúdos programáticos (“ementas”) de todas as disciplinas. Com frequência, as ementas incluem uma bibliografia de referência para cada disciplina. Os livros citados não serão necessariamente aqueles adotados pelos professores, mas com certeza estão entre os melhores de cada disciplina.
      Se você quiser já ir se aquecendo, a OpenStax tem um livro de Anatomia e Fisiologia que você pode gostar muito: https://openstax.org/details/books/anatomy-and-physiology .
      Bons estudos, e muito sucesso pra você na universidade!

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      • Muito obrigado!
        Irei pesquisar no site da universidade.
        Esse livro da OpenStax também parece muito bom!

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